3 de Dez de 2009

É no Inverno!


Entrei pela porta, pés descalços, pés frios... na rádio tocava algo novo, algo descalço, frio! Uma música com a qual não me identificava. Um contacto que no fundo não foi senão areia entre os dedos, e que o vento levou! Suspirei e andei mais um pouco... um caco rasgou-me o pé... as meias molhadas da chuva que já não cai! Substitui tudo por uma manta, uma capa protectora, que não aquece o calcanhar, nem a palma do pé, nem sequer os dedos. Liguei a música, uma vez feminina que cantava "we all have our scars!"..

Noutra estação cortei-me, fez cicatriz, passou!

E agora o Inverno voltou! É no Inverno que sinto a ausência de calor.

14 de Out de 2009

Fui contra a parede;


No sono acordado pelas obras frenéticas ouvi a legislação de experimentação de animais, na correria do ser esqueci o que tinha para fazer, da carteira tirei zero centimos e não paguei!
Sentei-me e fui contra a parede... Uma, duas, três vezes!

Contra a parede na rotina, contra a parede repetidamente!
Contra a parede adormeci!

11 de Out de 2009

Ciclo da Vida


São partes de segundo, gotas de água que fogem do seu curso e atiram-se da grande montanha, sem qualquer receio! São instantes que supostamente não valem nada, mas que escondem vidas, escondem momentos, alegrias! São pausas que esquecemos existir, respirações repetidas, quartos sem janelas de poucos dias de vivencia, mas que já contam histórias, que já viram momentos! São sortes que aparecem no caminho mas não apagam os azares; apenas disfarçam! Pó em teclado da vida, teclado com apenas algumas notas musicais lembradas, um desenfrear de dedos, uma clave de sol que entra pela marquise e ilumina a casa!

O relembrar de 1+1, uma lágrima que já não cai, a vergonha de cair, o tempo a passar, os vinte e um anos, o perceber que a única marca que deixamos na vida, é a própria vida.

E os sentimentos... que no fim... voltam sempre...
No ciclo da vida!

14 de Set de 2009

11 de Setembro de 2009 escrito algures entre Madeira e Lisboa!

10h30. A tripulação acaba de distribuir o pequeno-almoço pelos camaradas, o sentimento é comum a todos: espectactiva, ansiedade. As ondas do mar estão calmas e o comandante baixou a guarda, mas todos os olhos estão virados para norte, para a fina ténue linha que séra o destino.
Que haverá depois daquela linha de cor azul que tanto eles observaram das janelas de casa ou - os menos 'sortudos' - sonharam das histórias infantins que relembravam marinheiros que tinham chegado à linha, encontrado riquezas, uma vida melhor. As histórias de terror também contavam este episódio, mas com o fim trágico que era explicado por um monstro inventado da literatura que engolira o barco antes deste chegar à linha horizontal!!
O mais nervoso da tripulação era um jovem estudante que deixara de aprender com o mestre para se aventurar nas águas negras! Mas não era o nervosismo igual a todos outros companheiros: ele sabia qual era o seu destino! Ele sabia o que a ténue linha significava e o que ela seria. Do outro lado não haveria música como na sua terra. Do outro lado havia o fim, o mestre bem dissera, e como aprendiz ele seguiu a palavra do mestre!
Mesmo assim o jovem aguentava firme, apenas com medo de não conseguir levar a cabo os ensinamentos do mestre. Por isso à medida que o barco avançava, o jovem aprendiz fechou os olhos rezou ao seu Deus! Levantou-se devagarinho, e fez o que tinha de fazer!

Cinco minutos depois o barco foi desviado da linha ténue e bateu contra dois grandes icebergs, gémeos, espelhos um do outro! O pequeno jovem aprendiz levou as mãos ao ar e aclamou o seu mestre. O panico se instalou na tripulação.
Uma criança cantava "Imagine" junto à proa do barco!

21 de Ago de 2009

O herói de banda desenhada


Quando ele era pequenino sonhava que ia ser um herói de banda desenhada, não uma banda desenhada qualquer, porque ele não era qualquer um, ele era o ursinho de peluche favorito, o ursinho que com os anos deixou de dar música, perdeu até o nariz, mas passados tantos anos o ursinho cujo nome já ninguém se lembra continuava na cama à espera que o dono regresse todas as vezes e se deite com ele. Passados dias, meses, o ursinho cujo nome já ninguém sabe espera pacientemente, sem cheirar, sem dizer uma palavra. Nas suas costas o fecho que outrora guardava segredos, agora só guarda histórias...

Agora o ursinho já é maior de idade, já pode beber, mas não bebe. Já pode sair a noite, mas a sua saída maior é até a máquina de lavar e directamente para o estendal. Quando muitos ursinhos foram metidos no armário, ele ali permanece - as vezes sendo brutalmente atirado para o chão quando a cama é desfeita! Mas ele no fundo não se importa - porque ele é o único que ali ficou, ele é.. o guardião da cama!

O herói de banda desenhada que ele sempre sonhou ser.

20 de Jul de 2009

10 Reasons For Dating A Pharmacist

1-Very clean life style and bed style too.

2-We are well trained to listen.

3-Drug Dealers….with a license! Hell yea..

4-Free drugs, condoms, and birth control pills…We play safe!

5-When it comes to measures we are precise, gentle, and got a whole bunch of leaks before reaching the end point! lol,don’t u just love Titration?!

6-We know quite enough anatomy, to know what works and where.

7-We own a variety of lotions, creams and gels, and aren't afraid to use them.

8-We do it over the counter, in the car, and on hospital beds all day long.

9-We never miss a target ;)

10-Love is all about chemistry, right?…Well so is Pharmacy !

8 de Jul de 2009

No escuro do quarto!


No escuro do quarto, um “zum-zum” enérgico depois da sesta, um rapazinho com os olhos semiabertos desenhou um corpo perto de um relógio projectado na parede que indicava as vinte e três horas; escondeu-se no cobertor e espreitou de novo. O vulto permanecia pertinho do número dois projectado, sem dizer nada.
Como tinha medo de gritar por ajuda, e quem sabe irritar o vulto, tentou imaginar o que é os piratas que iam à procura de tesouros fariam naquela situação. Que estratégia usariam os marinheiros, os corajosos, com um amor em cada porto? Numa atitude de spiderman atirou-se para o interruptor perto da cama e acendeu a luz;

o seu coração batia forte quando olhou para a tábua de passar a ferro que a mãe esquecera junto à parede !

1 de Jul de 2009

Na ameixoeira...


... vou ser feliz!

O receber a chave, a foto no esquentador, o salto, os gritos de entusiasmo. O smart da tia, as duas malas; a chegada a casa, o descer dois andares com malas pesadas, conhecer os vizinhos (e o seu bebé) ao (não conseguir) abrir a porta, o "são os novos inquilinos?", o tão habitual "se precisarem de alguma coisa, é só bater à porta", o comer a primeira refeição (bolinhos!) à janela, o espalhar livros/sebentas/toalhas pelo chão para arrumar depois, o teste às fichas de electricidade da casa, os vídeos, as gargalhadas, a cantoria.. A dispensa arrumada, o armário com toalhas e a batina do traje, os pratos e canecas no armário da cozinha, a casa de banho com toalhas, o colar os nossos cartazes nas paredes, o filmar a casa, tirar fotografias, ver os vídeos, rir, chorar a rir! A nostalgia, a felicidade.

Tudo faz parte da emoção de mudarmos de casa!

13 de Jun de 2009

Almoço/Jantar

Alho, polpa de tomate, sal grosso, vinho verde, água, cenoura aos bocadinhos, massa.
é tudo o que foi preciso para fazer um almoço/jantar rápido em época de exames. Até porque não há tempo nem pachorra para mais!

(Infelizmente, são precisos muito mais ingredientes para ter vontade de estudar e/ou ter sucesso escolar!)

Ah, não esquecer a panela e o gás (e a pausa no estudo, para comer e lavar a loiça) , convém.

2 de Jun de 2009

(Teatro da) Paranóia

( A - sem idade, género ou etnia definido- entra em cena! )

A- Esperei-te a noite toda... não vieste. "Estive com uns amigos" disseste tu, mas eu vi nos teus olhos a mentira, já te conheço tão bem! É ridículo pensares que esses olhos cor de amêndoa ainda me conseguem enganar. Amêndoa amarga, tu não me enganas. (pausa longa) E como não me dizes a verdade, imagino-a, todas as vezes... todas as vezes que esses olhos cor de amêndoa me mentem! (pausa) Ontem esperei por ti três horas no sofá, no dia anterior no café, uma tasca qualquer com homens e mulheres estranhos, tudo porque me pediste para esperar lá, querias me apresentar uma pessoa, um amigo de longa data que tinha voltado dos Estados Unidos onde trabalhava como jornalista. Era nesse barzinho, agora muito mal frequentado, que se encontravam, e eu tinha apenas de esperar, e esperei! Esperei e não apareceste, e na minha cabeça surgiram imagens tuas com alguém na minha casa, na minha cama, nos meus lençóis... Telefonaste-me duas horas depois a dizer que afinal o teu amigo não tinha conseguido vir. Apenas ouvi a tua voz, mas não foi preciso ver os teus olhos cor de amêndoa para saber que me estavas a mentir, a tua voz outrora melodiosa estava seca, ofegante, nervosa, essa não foi a voz que me encantou quando te conheci, (entra B) esses não são os olhos cor de amêndoa por quem me apaixonei!

B- Estes olhos de amêndoa...

A- Esses olhos de amêndoa...

B- Porquê?

A- Porquê?

B- Não consigo esconder mais...

A- Não precisas!

B- Tu fazes anos hoje.. e eu...

A- Eu sei, não te preocupes... diz o que tens a dizer!

B- Eu...

A- Eu sei!

B- Estive a preparar-te uma festa surpresa!

(Actores entram, com um bolo e garrafas de amêndoa amarga, a cantar parabéns. Fim!)

23 de Mai de 2009

Imunidade

Estamos imunes a muita pouca coisa, e quanto à pouca coisa que achamos já estar imunes provavelmente nem a isso estamos. Porque parece que todas as vezes a esperança vem, o coração bate, a respiração torna-se superficial, porque a ansiedade está lá, no cantinho da sala, no sorriso medroso, não! Não estamos imunes. Quando finalmente percebemos que a resposta já tarda, ou que já não vem, ou que veio e não foi a que esperávamos, percebemos que a Imunidade é um pouco subjectiva, e que no fundo não estamos preparados para nada, nem ao menos habituados! Independentemente do que dizemos, a dor está lá, a cada silêncio, a cada Não!, a cada porta fechada, a cada adeus, desconforto, telefonema, choque. E a esperança não é a última a morrer, o coração bate, e o que antes trazia felicidade, torna-se superficial. Porque a imunidade deixa marcas!

Esquecemos, não esquecemos. Sofremos, não sofremos. Desistimos, não desistimos.
(Ainda) não desisti, mas não sou imune!

13 de Mai de 2009

"NU" diário económico



Há publicidades que não se pagam, há momentos e pessoas que se guardam, há sentimentos que são para por a NU!
Todas as sextas e sábados, até fim de Maio, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (http://oartec.blogspot.com/)

Obrigado pelo apoio prestado até agora.
Muito obrigado aos que estiveram presentes, e aos que ainda vão estar, e claro, aos que estão lá todas as semanas, e aos que estiveram desde o inicio na produção, e aos que só podem estar lá em espírito =)

Não tenho muito mais a ser dito =) apenas um *grande sorriso*

9 de Mai de 2009

Ansiedade


Ansioso para que algo aconteça, para que um grito se faça ouvir na multidão, não um grito assustador, mas um grito triunfante, que indique o inicio de uma nova era, uma era onde as pessoas não têm medo de gritar que são felizes, que têm amigos, que se amam, não tenham vergonha daquilo que sentem, e que acima de tudo, não tenham vergonha de gritar! Ansiedade por um tempo, uma hora, um segundo, para que o momento aconteça, acontece a todos, não é? O desconforto emocional, o tremer dos joelhos, e um sorriso parvo que indique "estou rendido". Ansiedade pelo que está para vir, no meio da rua, ao cair da chuva, num telefonema inesperado, num bater de palmas do público, num desconforto de alegria que nos consome de cada vez que fazemos alguma coisa bem. A ansiedade para um conseguir, ir mais longe, correr, saltar, cair, não me magoar, não é fácil, mas ultrapassar. Ansiedade por um silêncio, um bater do coração, uma taquicardia, de um entregar-me, de um aceitar! Ansiedade por uma lágrima, porque lágrima pode não representar tristeza, mas orgulho, trabalho, suor, porque uma lágrima pode representar conseguir!

E na chuva, na cama, ao acordar, ao adormecer, no palco improvisado, na vida...
Estar ansioso e não saber porquê!
Mas estar ansioso...

6 de Mai de 2009

Hoje analisei o sonho ridículo...

Ah pois é! Hoje tirei o dia (ou uns minutos do dia) para comparar o meu sonho com a realidade, e não é que o meu sonho era de facto um aviso ? =O

* Havia um email da MNAP que eu não tinha lido, eu tinha de comprar coisas e ainda não sabia.

* A parte dos amendoins (e dos maravilhosos fungos) era porque a frequência do terceiro ano de Micologia iria ser cancelada à ultima hora =O

* Sexta feira terei que sair de uma responsabilidade, e me dirigir a outra (à peça, portanto!)

* Houve uma ameaça de bomba no Campo Grande, fecharam a linha até o campo pequeno, e como tal eu tive que andar para apanhar o metro (o que significa que no sonho, faltar à aula de Educação Física não era uma boa ideia, visto que teria que pôr as minhas pernas a trabalhar até o Saldanha.. e era bom estar fisicamente bem preparado!)

* O calor fez com que tivesse de andar de t-shirt, e revelar os meus braços esqueléticos para o mundo (as aulas de Educação Física podiam ter mudado um bocadinho esta situação.)

* Invés de uma conferência, tive uma reunião da MNAP.

* A vontade de faltar a Fisiopatologia amanhã é imensa, mas não devo faltar, é um aviso do meu sonho LOL

Pois é; tenham medo. Eu sou adivinho! *risada maléfica*

4 de Mai de 2009

Hoje sonhei...


... um sonho ridículo!

Sonhei que estava quase a perder por faltas a Educação Física; então alguém teve a ideia de ir a uma tal de conferência que ia acontecer naquela noite, onde estariam os professores da disciplina, e quem fosse à conferência estava dispensado da aula do dia, e como eu tinha faltado, decidi ir! Fui falar com os professores, e eles disseram que tudo bem, desde que ficasse até ao fim. De repente, ouvi um "Amadeu, onde é que estão os amendoins e os cajus?", aparentemente estava encarregado pela Muy Nobre Academia de Pharmacia de trazer tais aperitivos (sabiam que os amendoins podem conter muitos fungos? *-*) e tentei justificar-me dizendo que não tinha recebido o e'mail a informar de tal tarefa. Foi quando olhei para o relógio, e vi que eram... 20 horas! E a conferência ainda não tinha começado. O pior? É que tinha a minha peça "NU" daqui a 2 horas, e para os professores tirarem-me a falta, tinha de ficar até o fim da conferência. Ou seja? Pânico! Ou ia à peça, ou chumbava por faltas!

Preciso de alguém que saiba interpretar sonhos! Estarei eu a fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo e a descuidar-me do exercício físico (que nunca foi feito muito intensamente, Lol)? Ou estarei com demasiadas responsabilidades ao mesmo tempo? Ou foi só isso mesmo.. um sonho ridículo?

E para piorar a situação, eu tenho quase a certeza que já tive um sonho destes, claro que noutras circunstâncias e situações... de qualquer maneira, depois disto tudo acordei, sem ter decidido o que fazer da minha vida!