Correr

Ela queria apagar as luzes,
a luz habitualmente incomodava-lhe os olhos,
Ela queria adormecer,
Mas o frio de estar sozinha fazia-lhe tremer...
Uma maneira de provocar calor, dizem os cientistas!
Mas ela não sabia nada disso, nem queria saber,
o seu talento era o seu caderno de pintura,
Era ali que ela pintava os olhos, as sobrancelhas grossas,
O sorriso grande. Sentado num banco.
E depois beijava-o, beijava-o num sorriso.
Uma luz vermelha enchia a tela.
E ela abria os olhos e estava tudo de novo negro.
As suas folhas em branco arrumadas no armário.
Nunca mais tinha pintado.
Decidiu que pintar significava recordá-lo, e ela não queria recordá-lo.
Mas no silêncio da noite,
quando as luzes apagavam-se,
quando a luz já não incomodava os olhos,
e ela queria adormecer,
Ela recordava-o. Descaía-se. Rebaixava-se.
Os restos dos seus cabelos caíam na cama,
As lágrimas caíam-lhe, até adormecer, exausta.
No outro dia levantava-se, já sem marcações da água na cara.
Acendia a luz, e ia correr.
Sentir o frio na cara, a chuva no corpo, uma sensação de frescura.
E quando encontrava-o no banco do jardim, tinha medo de ir falar...
Quando ele olhava cumprimentava-o de longe.
Depois continuava o seu caminho.
Podiam correr juntos.
Na chuva as lágrimas confundiam-se.
No frio voltava para casa.
Tomava um banho.
E adormecia.



que profundo.
btw, i'm b.a.c.k.
lindissimo!!!
<3
eu sei, ando a ler o teu blog Z. :D obrigado pelo comentário ;)
Ivânia, muito obrigado :) volt sempre.
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