11/11/2010

Estado de inércia


Hoje senti a necessidade de escrever. Arrumar as coisas da biblioteca, correr para o metro. Ser interrompido pelo caminho por pessoas que gosto, mas só me querer refugiar no meu quarto. Fechado. Tirar o traje académico. Vestir um pijama, e depois sentir a necessidade de vestir um novo. Senti a necessidade de fechar a porta do quarto. E ficar lá dentro no silêncio. Talvez com a luz apagada. Sim, vou apagar a luz! Agora só a luz do computador e a falta do jantar me incomoda. Pensei que ouvi o telemóvel tocar, quando na verdade está sem som devido à tarde na biblioteca. Para quebrar o silêncio pus música, fechei os olhos. E escrevi. De olhos fechados parece que as mãos ganham vida e escrevem por elas próprias, sem ser preciso eu pensar... Porque sim, não me apetece pensar. Não quero calculadoras. Não quero apontamentos. Testes práticos. Nem resoluções. Nem conselhos sobre como passar ao teste. Não quero palavras de conforto. Não quero ir ao supermercado. Não quero estudar. Não quero ver séries. Não quero facebook. Quero estar assim. Aqui. Na escuridão. De olhos fechados. Com ou sem erros autográficos, frases compostas, whatever. Talvez o problema seja meu. Alguns reclamam, alguns gostam, eu odeio, outros dão conselhos, e outros ainda não chegaram a este desespero. A minha cinética é mais rápida, e fico nesta situação de estado estaccionário... à espera de uma nova dose. Este texto, não vou voltar a ler. Se tiver erros, incoerência, paciência!. Hoje não, hoje vou ficar na inércia. Adormecer em pé. E irritar-me. Irritar-me com os mestres na casa de cima a ouvir rádio durante a manhã. Irritar-me com o metro que chega sempre quando eu estou a chegar às escadas rolantes. Irritar-me com a biblioteca. Irritar-me com Farmacocinética. Irritar-me com a ausência. Irritar-me com a indiferença. Irritar-me com as escolhas. Irritar-me com as máquinas do metro. Irritar-me com o caminho até a casa. Irritar-me com a falta de jantar. Irritar-me com o sono e ainda serem sete horas. Irritar-me comigo mesmo por acabar mais um dia neste estado.

Hoje senti a necessidade de escrever. Hoje senti a necessidade de explodir.

5 comments.:

Martinha disse...

As vezes as pessoas de quem gostas que encontras plo caminho não estão lá por acaso.

:)

Amadeu disse...

os meus problemas não (só) passam pelo quarto ano, inês.

É verdade martinha, é verdade. :)*

manuhell disse...

tbm fico profundamente irritado quando não me deixam sossegado no meu estado de inércia, não me deixam ficar simplesmente aqui.

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