08/12/2010

"I'm on my way to believing"


Viagem pelos posts do blog, baseado na música The Only Exception

Quantos anos sofreu nas sombras de alguém procurando nas entrelinhas alguma possibilidade de conquista, de negação por parte do outro, mais que uma amizade à superfície, tentou ver o núcleo, tentou chegar lá várias vezes, e várias vezes na sua imaginação tocava os lábios e estremecia; depois tentava esquecer, e voltava sempre à mesma base, ia contra a parede na rotina, contra a parede repetidamente! quando finalmente se beijavam, ou se mostrava afecto. No fundo era tudo uma espécie de esquema para se manter agarrado nas sombras. Mas sabia que não faziam por mal; era só a necessidade do outro de ter alguém à sua sombra. Tentou encontrar outra pessoa, esquecer os olhos brilhantes, o sorriso contagiante, mas acabava por pensar sempre no passado, e na falta que lhe fazia.. E deixou de acreditar no amor, sentou-se no chão e entrou num Monológo da Revolta. Percebeu que nenhum daqueles quatro ou cinco anos valeram a pena, não valeram o risco. Caminhou pela casa, e foi no Espelho que viu o seu reflexo, disse adeus às inseguranças e devaneios, aos penhascos certeiros, a tudo o que ficou por dizer e tudo o que foi dito.

Correu para o quarto, ficou deitado na cama, ansioso. A chuva, na cama, ao acordar, ao adormecer, no palco improvisado, na vida... Estava ansioso e não sabia porquê! Viu a luz ao fundo do túnel algumas vezes, mas entre caminhos trocados e complicações, acabava por virar à esquerda e nunca chegar ao caminho pretendido, perdido em mapas que não o levavam a lado nenhum. No entanto decidiu esperar apenas mais uns dias de desespero e solidão. Esses sentimentos... que no fim... voltam sempre.. no ciclo da vida!.

Por um lado estava contente, tinha a certeza que tinha deixado de ser a sombra, e sabia que não voltaria a esse sentimento com aquela pessoa. Mas no entanto, continuava a não ser imune a toda a dor de estar sozinho, a não ser imune a todos esses sonhos destrutivos. E decidiu não voltar a tentar. Pensou, assim, nunca mais ser capaz de escrever sobre o amor.

No meio do seu estado de inércia, sentado no palco, sonhou, murmurou "Faz o que quiseres, vem de onde vieres, Eu faço-me aparecer, mas aparece!!" O seu corpo estava estático, como se estivesse preso à cadeira da solidão, e no frio do palco encontrou outras mãos. No seu nariz: o cheiro. Nos seus ouvidos: Oh Holy Night! As suas mãos, lábios, presença, virou vício. Mordeu-lhe, estremeceram.. E ele soube que, naquele momento, era capaz de acreditar outra vez. No meio do palco, onde o seu cheiro ficou gravado nas tábuas, num mundo de arsénio, encontrou o seu antídoto. Ninguém é de ninguém. Mas tinha possivelmente encontrado a sua única excepção.

4 comments.:

Anónimo disse...

And that's what make my life so fucking fantastic ;)

Amadeu disse...

yeey um comentariooo... lol ... anónimo,mas obrigado :D

Nadia Mendes disse...

Lindo!... Qualquer dia editas o livro "I am I said"!!
Bjinhos querido!

Amadeu disse...

Uma viagem pelo blog que tu acompanhaste sempre ;)* obrigado.

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