Tic Tac
Vamos fazer assim. Fecha os olhos, respira fundo, e começa a ler, sem pressas, ouve só os barulhos que te acompanham. Fecha os olhos. Ouve o teu relógio, o coração, o vento e a chuva lá fora ou simplesmente aquela música que te toca sempre lá dentro, a música que parece que foi escrita para ti, a música apropriada para aquele momento, aquele momento que choras sozinha nos lençóis, todos os dias. A tua playlist, a tua companheira. Se te apetecer chorar: chora! mas chora até ser a última vez que choras este ano. Não podes ficar agarrada a esse sentimento de solidão, essa garra que te aperta, esmiuça, destrói, esse sentimento que vais acabar sozinha, e ninguém se vai lembrar de ti, que não és boa o suficiente, que não sabes o suficiente, que não consegues o que queres, que não vives, que não importas. Porque no relógio da vida todos importamos; no relógio da vida não acabamos sozinhos. Se não consegues contar com os outros, com aqueles a quem chamas amigos; se não consegues chegar ao pé deles, abraçá-los, chorar nos seus ombros; se eles não te abrem os braços à tua espera, agarra-te a ti. Escreve. Escreve-te. Mas não deites os papeis no lixo, não os escondas até ficarem amarelos com o tempo. Guarda-os, e lê-os, acredita neles. Acredita que o tempo cura tudo, e que um dia vais ser feliz. Conta contigo. Agarra-te. Amarra-te. Porque tu, tu de certeza que não te vais abandonar. É contigo que vais continuar. Outros passam, cria memórias, cria laços, descobre-os, descobre-te. Agarra-te . Amarra-te. Ele vai aparecer, outro, não aquele por quem sofres há tanto tempo. Ele. Eles. Ele. Aquele que sonhas, que te tire a mágoa. Aquele que não acreditas existir, porque isso seria demasiado clichê. Demasiado banal. Tu és tudo menos clichê e banal. Agarra-te. Amarra-te. A alguém, a alguma coisa, a músicas, memórias, palavras soltas, a uma folha amarela da tua infância, a um blog, a um livro. Agarra-te. Vive. Até esqueceres, deixares de ouvir o Tic Tac, até as lágrimas deixarem de criar lacunas nos teus olhos. Sorrires. Rires. Seres feliz. Porque és mais do que pensas; vales mais do que pensas. Um dia vais conseguir aquilo que queres ser e não sabes. Vais fazer o que sonhas, e não te lembras. Podes acreditar que estás destinada para isso. É lame. Mas agarra-te. Amarra-te. Ao mais ridículo possivel. Aquele rosto que te acompanha. Aquele amigo especial, que apesar de às vezes longe, está sempre lá para ti. Agarra quem importa. Quem merece. Irás encontrar aquilo que procuras. Não sabes o que é? O que procuras és tu. É aquilo que és, e dizem-te, vezes sem conta que és, e tu não acreditas. Porque por alguma razão estás agarrada a isso. Amarrada. Desprende-te. Sorri. Ri. Vive. Para além de estares nos olhos, nas memórias dos outros; Tens de estar na tua própria existência. Faz isso. Pára de chorar, agora. Agarra-te. E quando o fim chegar, ouvirás o Tic Tac, sentirás o Pum Pum, e vais ver que afinal: foste feliz!




vamos fazer assim. ler isto todos os dias, para ficar tudo no subconsciente e cada amanhã ser diferente.
leio sempre coisas muito boas aqui mas hoje isto tocou profundamente um <3. e as palavras faltam. retribuo com um grande grande abraço para o ano =)
obrigada ***
De nada*** e acho bem que fique de cor, entranhado LOL
Obrigado eu.
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