
Podia escrever tudo o que alguém de bonito pode escrever, as palavras não são o que me falta, nem muito menos o que sinto. Queria escrever tudo o que sonho, ou mais do que os meus sonhos podem chegar, mas textos sobre sonho não são o que me faltam, nem muito menos a quantidade de sonhos. Queria escrever algo que te marcasse, e a mim, e a todos, de alguma maneira, uma poesia, um monte de palavras sem nexo, mas que cada leitor vivesse, respirasse, se esquecesse por momentos da vida atribulada que leva, das férias, ou do cansaço do trabalho. Um texto que as pessoas tivessem prazer de ler, e voltassem. Que acabassem, fechassem os olhos, e imaginassem toda a sua vida, todo o seu verão passado, e o Inverno que vão mais cedo ou mais tarde enfrentar. O furacão Irene. O 2012. Um texto que deixasse marca. Este é o sonho de qualquer blogger (segundo o Expresso: Blogueres), por mais que negue. Parvo. Ridículo. Não posso ter ambições tão alargadas. Por isso limito-me a passo e passo, construir um público, a agarrar-vos no meio de vírgulas, encantar-vos com imagens, na esperança que algum dia voltem, respirem, pensem. Por vezes volto atrás do tempo e leio algumas coisas que escrevi, construo rapidamente na minha cabeça ponto a ponto o que vivi. Sei de cor os sentimentos, e os meus significados. Que não serão, de certeza, aqueles que qualquer um encontra neles. Muitos podem chegar perto, quando as palavras tornam-se em espelho de água, transparente. Mas mesmo nesses, tento esconder, confundir, confundir-me. Às vezes escrevo sobre nós, na esperança que continue a ser o único, o primeiro, o último, o para sempre. Na esperança que tu, nós, todos, guardes estas palavras, não de cor, talvez num
caderninho escondido. E talvez faças como eu, vejas coisas novas quando lês tudo de novo. E guardes-me também. Recordes todos os nossos passos. Às vezes acho ridículo fazer blogs, parece que de alguma maneira estou a expor-me demasiado. E apago um texto, para voltá-lo a escrever minutos, horas, dias depois. Uma versão pior, ou pelo menos diferente, e acabo por publicar de novo num momento de fúria, tristeza, alegria extrema. Depende. Escrevo sobre tudo, sobre todos, às vezes confundo a minha Pessoa com heterónimos, o actor com o personagem, no mesmo texto. Tento que as minhas palavras ajudem alguém, vivam com alguém, amem alguém. Tento eu ser palavra, e a palavra ser sonho, e o sonho sermos nós, e nós sermos o que escrevo, e o que escrevo são só palavras. Dizem alguns que as palavras são eternas. As palavras são únicas, as primeiras, as últimas, as palavras são para sempre.
Lindo Lindo! Numa altura em que acaba por ser um pouco dificil para todos nós, podemos não expressar todos da mesma maneira mas estamos todos a sentir, será cada vez mais nas palavras que iremos todos estar juntos. Beijinhos! Conta sempre comigo!
"Às vezes acho ridículo fazer blogs, parece que de alguma maneira estou a expor-me demasiado." Acho que todos nós acabamos por sentir isto, mas é impossível parar, não é? É mais forte do que o medo, esta necessidade de passar emoções a palavras, de construir castelos no ar.
Identifiquei-me bastante nesta passagem: "às vezes confundo a minha Pessoa com heterónimos, o actor com o personagem, no mesmo texto."
Mais uma vez, excelente trabalho :) desejo-te as maiores felicidades na conquista desses sonhos!
Olá Amadeu.
O teu blog foi mencionado aqui http://paraisobiblioteca.blogs.sapo.pt/32434.html
:)
Beijinho.
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