Desabafo de vida

Hoje pensei que podia já estar a acabar tudo, que podia já estar no mercado de trabalho, podia já saber o que fazer, o que quero fazer, saber o que posso fazer! Ter opções que não seja fechar-me em casa agarrado aos cobertores a sonhar. Hoje sonhei que não era eu, mas um eu preso ao meu corpo, que não estava habituado à minha personagem, a esta carne. Imaginei-me noutros caminhos, noutras opções, numa realidade paralela, num outro sonho. E acordei. Não foi um dia fácil. Não foi um dia difícil. Foi apenas um dia. Um dia para pensar em tudo. Um dia que me fez ficar dividido. Por um lado, o nervosismo, o desconforto, a ansiedade; por outro, saber que se não fosse este ano de espera, não tinha conhecido tão bem as minhas pessoas, não chegava onde cheguei hoje, provavelmente não tinha lutado, estaria preso a um corpo, não habituado à minha personagem, à minha carne. Não te tinha conhecido. Nem a ti. E poderia estar sozinho. Isolado do mundo, isolado no sonho, preso nele. Iludido, talvez. Foi um ano difícil, aquele, foram dias difíceis, onde lágrimas e palavras se confundiam, e sonhos eram cortados, os Não , deitavam-me a baixo todas as vezes, os sonhos caíam, e eu só desejava voltar para casa. Vocês abriram-me as portas, e fizeram-me aguentar. Vocês que conheci pelo caminho e outros que mais perto ou mais longe, e outros que acabei de conhecer, mas que representam tudo o que quero no meu futuro, e fizeram-me aceitar e chegar aqui. Nestes anos cresci. Com certeza já não sou o menino de dezassete anos com muitos sonhos, pouca experiência, e medo, muito medo. Não deixo de ser um menino, agora com vinte e três, não deixo de ter medos, muitos sonhos, pouca experiência, e medo, muito medo, mas sou um menino de vinte e três anos que olho para tudo de outra maneira. Talvez ainda esteja iludido, mas não estou isolado do mundo, num sonho, apesar de continuar a sonhar, não estou à espera de um milagre, mas à procura de oportunidades, e com prioridades mais definidas. Hoje ouvi palavras, senti abraços, vi caras amigas, tive menos medo de falhar; apesar desse pensamento voltar mais vezes do que queria. Hoje apeteceu-me agradecer a todas as pessoas que amo, e esquecer quem não me conhece e fala de mim, viver a minha vida.
Hoje... cheguei a casa e percebi que nunca mais tinha escrito, não por ter largado um outro sonho, mas porque estou ocupado demais com a realidade. E escrevi sobre o espaço que mudou a minha vida, e que agora está a chegar ao fim. O espaço, porque vocês, vocês estarão sempre comigo, na minha casa. Hoje pus música, abri o blogger, e comecei a escrever. Imaginei-me num palco. Imaginei-me um menino de dezassete anos. Pensei no que mudou. Pensei no passado. Pensei no futuro. Depois voltei a ter medo. Medo de quando isto acabar, voltar a estar preso no sonho. Medo de não saber quem vou ser. Medo de estar preso a um corpo, não habituado à minha personagem. Não ser eu. Ou um eu pior. Escrevi sobre tudo. Escrevi sobre nós. Pensei em Farmácia. Pensei no meu teatro. No meu sonho. E no que passei. Na minha vida. E no que passei para crescer. Pensei no futuro. Com medo de não ser eu. Mas com a certeza que estarás lá comigo.



awesome, seriously awesome.
Obrigado ;) anónimo, mas pequenos comentários e gestos também fazem-me bem. (:
percebo tão bem. e tu sabes. é aquela conversa que vamos ter as vezes que for necessário. é o orgulho de conseguir. e de ter crescido contigo. e de saber que tudo acontece como tem q ser. quando não temos nenhum sítio onde chegar podemos perder-nos no caminho. e descobrir, por aí, algures, um cantinho que nos agrade =)
é tudo um processo de crescimento...
Sabes que mais? É super egoísta o que te vou dizer, mas por um lado fico feliz por "esse ano"... Porque afinal, se tivesses começado a estagiar o ano passado, e "saído" da faculdade, provavelmente não ter-te-ia conhecido assim. E ainda bem que assim foi, é grande parte de mim como tu sabes.
E sabes que mais? Podes ter medo, mas vais sair-te lindamente, como te saíste até agora.
Desculpa não ter falado ultimamente muito contigo...
Obrigada por tudo, Deu.
Beijo
Sabe tão bem ouvir as vossas palavras, Inês e Rute. Obrigado por todos os momentos partilhados *
Enviar um comentário